Sonho em campo

Depois dos desafios que o mundo apresentou, jogar bola até parece fácil. Nove garotos que tiveram que morar nas ruas têm a responsabilidade de representar o Brasil na Copa do Mundo de Crianças de Rua, que começa no próximo dia 30, no Rio de Janeiro. O sonho é motivado também pela homenagem ao amigo Rodrigo Kelton, 14 anos, assassinado quando o time ainda se preparava para o torneio.

 

Rodrigo foi morto com cinco tiros, no dia 13 de fevereiro deste ano, quando saía de casa, no bairro Genibaú, poucas horas antes do treino do dia. A equipe da ONG O Pequeno Nazareno, que terá a tarefa de ser o Brasil na Copa da Rua, ficou sem o atacante e capitão do grupo. “Nós não vamos deixar as nossas jogadas. Vamos para representar ele também. Eu vou fazer o meu máximo”, promete o lateral direito e amigo Vinícius Pinheiro, 15 anos.

 

O garoto Rodrigo chegou ao Pequeno Nazareno aos nove anos. Vinha da rua, filho de pais usuários de crack. Passou três anos na instituição antes de voltar para casa. Na época, a mãe, Rosimeire do Nascimento, havia conseguido se livrar da dependência depois de dez anos. Foi cuidar do menino que ela ainda chama de “meu artista”. “Larguei tudo (a droga) porque ele voltou pra casa. Falei: ‘Meu filho, vou cuidar de você’, mas na hora que eu comecei a cuidar, aconteceu essa tragédia”, lamenta Rosimeire, mãe de outros seis filhos. Para ela, conta, foi como se tivesse perdido um braço. Nos treinos, o atacante era o primeiro a chegar com a mãe. “Toda vida ia com ele. Eu que amarrava a chuteira dele.” No velório, a mãe fez o pedido que ajuda a mover o time: trazer a vitória para Rodrigo. “Ele sempre estará nos nossos corações. Gostaria que ele estivesse nos nossos jogos”, diz o goleiro Pedro de Castro, 15, amigo de infância de Rodrigo.

O treinador Thompson François via talento em Rodrigo. “Sabia que ele tinha um dom, mas não poderia dizer logo no início porque os outros iriam ficar com ciúmes.”

Fonte: Jornal O Povo

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