Polícia Federal prende 10; ex-PM chefiava esquema de fraude bancária

Dez pessoas foram presas preventivamente ontem pela Polícia Federal acusadas do cometimento de fraudes bancárias milionárias em sete unidades da Federação. Um ex-soldado da Polícia Militar cearense está entre os detidos e é apontado como chefe de uma das duas quadrilhas desarticuladas pela Operação Cártula. Segundo a PF, os grupos podem ter ligação com ataques a bancos e pelo menos 11 assassinatos registrados em Fortaleza nos últimos meses.

 

Além do Ceará, os bandos atuavam em São Paulo, Piauí, Maranhão, Alagoas, Paraíba e Distrito Federal. Apenas nos cinco meses das investigações (desde 17 de outubro de 2013), as fraudes somariam R$ 9 milhões, montante fruto de lavagem de dinheiro e principalmente da clonagem de cheques da Caixa Econômica Federal (CEF). O apurado pelo esquema antes desse recorte temporal é incógnita.

Conforme a PF, o crime acontecia com a anuência de pelo menos 31 correntistas das sete unidades da Federação. As quadrilhas obtinham folhas originais de cheques desviando malotes do banco com pessoas disfarçadas de funcionários terceirizados dessas instituições, em especial da Caixa. Em seguida, inseriam dados falsos com a alteração da numeração. Conseguiam a compensação fazendo uso de contas abertas de forma irregular ou de contas de terceiros cooptados. “Essas pessoas (correntistas) cediam mediante alguma vantagem econômica”, explicou o delegado da PF Carlos Eduardo Pellegrini.

O esquema foi desvendado graças a um novo método investigativo que promete fechar o cerco em torno da clonagem de cheques. Com a ajuda da CEF, a Polícia cruzou informações bancárias usando um sistema nacional de banco de dados. As apurações iniciaram em Brasília, conduzidas a princípio pela PF de São Paulo. “Rotineiramente, temos ocorrências aqui de cheque falsificado de agências da Caixa. Até pouco tempo, essa ocorrência era tratada individualmente. Não se chegava basicamente a lugar nenhum. Com o novo sistema, novas investigações devem surgir”, adiantou o superintendente da PF no Ceará Renato Cesarini.

Tanto o ex-PM quanto o líder da outra quadrilha teriam ligação com práticas de assassinato, latrocínio (roubo seguido de morte) e assalto à mão armada. O ex-PM foi expulso da corporação em 1992 justamente pela prática desses dois últimos crimes. Já o outro líder pertenceu a um grupo de extermínio de policiais e, atualmente, era traficante de drogas em Fortaleza, segundo a PF. (Bruno de Castro)

 

Saiba mais
Os 10 detidos estão recolhidos na PF. Ficam lá até prestarem depoimento. Em seguida, “descem” para o sistema prisional estatal.

 

Segundo o delegado regional de investigação e combate ao crime organizado da PF no Ceará, Wellington Santiago, dois membros das quadrilhas já cumprem pena provisória. E um terceiro estava em liberdade condicional.

Por terem ligação com tráfico, homicídios e ataques a instituições financeiras, o delegado considerou os membros dos bandos como “de extrema nocividade social”. Ele não descarta a possibilidade de outros crimes terem sido cometidos e de mais pessoas participarem das quadrilhas.

Serviço

Ajude nas investigações da Operação Cártula

Onde: Superintendência da PF (rua Dr. Laudelino Coelho, 55, no Bairro de Fátima, em Fortaleza)

Telefone: 3392 4900

FONTE: Jornal O Povo

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