Secretaria aponta redução de 46% no número de assaltos na Capital.

O primeiro bimestre do ano no Ceará foi de queda no número de assaltos – os chamados Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVP), que são as ocorrências de roubos, exceto latrocínios. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), foram 5.255 casos registrados – uma média de 89 por dia -, quando no mesmo período do ano passado aconteceram 9.156, uma redução de 42,9%.

 

Em Fortaleza, a SSPDS diz que a queda do primeiro bimestre de 2013 para o mesmo intervalo desse ano foi de 46,7% – passou de 6.737 para 3.588.

Muitos casos, entretanto, ainda estão fora dessas estatísticas, como o sofrido pelo estudante Ítalo Lima, 23. No dia 20 de fevereiro, era manhã e não passava de 7 horas quando, a dois quarteirões de casa, no bairro Dionísio Torres, ele foi abordado por um homem com uma faca. Levaram o dispositivo de música portátil. Foi o terceiro assalto em menos de um ano, todos à margem dos números oficiais da secretaria. “Não fiz um BO (boletim de ocorrência) porque até para fazer isso você tem dor de cabeça. Para mim, não adianta de nada”, afirmou.

Para o titular da Delegacia de Roubos e Furtos, Raphael Vilarinho, quem não registra o crime é a minoria das vítimas. “Nesses últimos três meses, diminuiu em quase 50% os casos (de roubos), alto para dizer que foi porque não fizeram o boletim”, afirma.

O delegado atribui o resultado às ações preventivas, como a distribuição de policiais militares em áreas com maior incidência de crimes, e repressivas, além da divisão do Estado em Áreas Integradas de Segurança (AIS). “Em todas as áreas, há metas a serem batidas. Como essas foram alcançadas, os policiais vão ser premiados agora em abril”, explica. Ele não detalhou quais as metas e quais os prêmios, pois essas informações só poderiam ser repassadas pela SSPDS.

Cautela

 

Os números apresentados pela secretaria exigem cautela devido à subnotificação, de acordo com o professor César Barreira, coordenador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV) da Universidade Federal do Ceará (UFC). “Se você não tem o dado registrado, ele não existe. Pode gerar uma situação camuflada”.

A redução de roubos e assaltos exige medidas de curta duração, aponta o coordenador do LEV: são principalmente a presença de policiais na rua e mapeamento e acompanhamento de áreas mais perigosas. Já o não registro do Boletim de Ocorrência, lembra o especialista, é prejudicial. “Uma política de segurança pública deve ser trabalhada com dados objetivos. Tem que ter o local, como e onde ocorre o crime”, afirma.

Reestabelecer a confiança da sociedade na Polícia é um desafio da secretaria. César Barreira explica que isso naturalmente interfere na subnotificação. “Se você não confia, não vai fazer o BO. Para reverter, tem que dar respostas, apresentar medidas concretas. Se não faz nenhuma ação diante do fato, a população não vai confiar”.

O POVO solicitou uma fonte à SSPDS para comentar quais estratégias foram adotadas para prevenir os crimes e reduzir a subnotificação. Até o fechamento da página, porém, não obteve retorno do pedido.

Serviço

 

Acesse dados de Crimes Violentos contra o Patrimônio no site:http://bit.ly/1kksSud

 

Viviane Sobral

FONTE: Jornal O Povo

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