Segurança não deve ser debatida a partir do pânico, diz sociólogo

Em três dias, foram registrados quatro atos de repressão policial em praças públicas. Para o sociólogo e coordenador do Laboratório de Estudos da Violência da UFC, é preciso aprofundar o debate sobre a segurança fora do período eleitoral

O fim de semana foi marcado por ações de repressão em praças públicas de Fortaleza. Na última sexta, 16, uma festa na Praça dos Leões, no Centro, terminou com pelo menos duas pessoas detidas e relatos de agressão por parte da Guarda Municipal (GMF). Essa e outras três ações, incluindo bairros Benfica e Serrinha, ocorrem no período de campanha eleitoral, quando os prefeituráveis discutem a necessidade de armar a Guarda com armas de fogo. Para o sociólogo César Barreira, o debate da segurança está sendo feito a partir do pânico.

Em entrevista ao programa O POVO no Rádio, da O POVO CBN (FM 95.5 AM 1010), nesta segunda-feira, 19, disse que é preciso aperfeiçoar a discussão sobre o que é aplicar a lei e a ordem no estado democrático de direito. “Temos que aprofundar a questão da segurança para o cidadão, saber que a polícia trabalha para essas pessoas”, disse Barreira.

O sociólogo, que também coordena o Laboratório de Estudos da Violência (LEV) da Universidade Federal do Ceará (UFC), diz que o debate na Capital ainda é precário. “Defendo muito a articulação da Polícia Militar (PM) com a Guarda. Nesse sentido, fico preocupado quando se fala em armar a Guarda com armas de fogo”, continuou. “É muito preocupante quando nós tornamos a coisa mais alarmante para, a partir desse pânico, criar políticas de segurança pública. Não podemos gerir uma política de segurança pública a partir do pânico”.

Ainda conforme Barreira, é preciso permitir que a população conviva com as características do mundo moderno, disponibilizando mais condições de serviços urbanos. “Esses momentos eleitorais são de soluções fáceis, o que preocupa porque a questão da segurança pública é muito complexa”, explicou. “Não são momentos propícios porque aparecem soluções mirabolantes. A gente tem que ter os pés no chão, refletir mais, encontrar uma solução efetiva. Tem que haver uma articulação com todas as políticas sociais”.

Quatro ações de repressão em três dias

Nos últimos três dias, quatro casos de repressão foram registrados em Fortaleza. Na mesma madrugada em que a GMF agiu na Praça dos Leões, um tumulto foi registrado na praça da Gentilândia, no bairro Benfica. A Guarda Municipal afirma que havia uma equipe no local para fazer a desobstrução de uma via. Durante o procedimento, uma briga entre frequentadores teria gerado a necessidade de intervenção policial, que fez “uso moderado da força” para dispersar o tumulto. Um homem foi conduzido ao 34° DP por desacato e incitação à violência, conforme nota da GMF.

Já para o sábado, 17, estava marcado, também na Praça dos Leões, um protesto contra o ato realizado pela GMF no dia anterior. No entanto, o evento denominado ‘Ocupa Lions’ acabou não ocorrendo. O POVO Online apurou que a Guarda Municipal impediu o ato. A Guarda Municipal afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que não iria se pronunciar sobre o ocorrido na noite de sábado.

O quarto caso de repressão foi registrado neste domingo, 18, na Praça da Cruz, na Serrinha. A PM interrompeu, com balas de borracha e bombas de efeito moral disparadas contra o público, uma festa aberta. Duas pessoas foram detidas. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) diz que equipes do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) e do Comando Tático Motorizado (Cotam) realizavam fiscalização sonora e o uso do armamento foi “necessário” para dispersar um grupo que teria atirado pedras contra as viaturas. Populares afirmam que a ação policial foi infundada.

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